Enquanto ruas seguem esburacadas, postos de saúde enfrentam falta de insumos básicos e escolas operam com estrutura precária, a Prefeitura de Codajás resolveu investir pesado, pesadíssimo na construção de uma praça poliesportiva. O valor? Nada menos que R$ 831.053,40. Sim, você leu certo: mais de 800 mil reais do dinheiro público serão destinados à construção de uma estrutura que, na prática, será mais uma “academia ao ar livre”, como tantas outras espalhadas pelo Brasil e que, frequentemente, caem no abandono poucos meses após a inauguração.
O contrato nº 098/2024 foi assinado com a empresa Praia Construção de Edifícios LTDA, inscrita no CNPJ nº 08.873.322/0001-57, com prazo de execução de apenas 60 dias a partir da ordem de serviço. A obra está localizada na zona urbana do município de Codajás, e foi formalizada via Concorrência Eletrônica nº 013/2024, nos moldes da nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/21).
A assinatura do contrato, autorizada pelo prefeito Antonio Ferreira dos Santos, foi publicada no Diário Oficial Eletrônico dos Municípios do Estado do Amazonas na edição de hoje. Mas, afinal, o que justifica um investimento dessa magnitude em uma praça poliesportiva num município com tantas outras carências? A falta de clareza quanto aos detalhes do “projeto básico” e a ausência de um estudo de impacto social colocam em xeque a real necessidade dessa obra
A população sequer foi consultada. Em um cenário em que a transparência e a participação popular deveriam nortear decisões sobre gastos públicos, o projeto surge como mais um exemplo de uma gestão que parece não ouvir seus cidadãos.
Além disso, é impossível não questionar os custos. Mais de 830 mil reais para uma praça? O que terá nela — piso de mármore? Equipamentos importados? Ou será que o valor inflado serve a outros interesses? A empresa contratada, Praia Construção de Edifícios LTDA, tem como representante Franciney da Silva Praia. Cabe à sociedade civil e aos órgãos de controle agora fiscalizarem de perto cada centavo dessa execução.
Será que a população de Codajás realmente precisa de uma nova praça de R$ 831 mil ou está sendo vítima de mais um capítulo da novela eterna do descaso e do desvio de prioridades?
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