O prefeito de Manaus, Renato Júnior, passou a ser alvo de análise do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) após o recebimento de uma denúncia que aponta possível conflito entre atuação pública e participação em empresa ligada ao setor da construção civil. O caso envolve o período em que ele comandava a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) da capital amazonense.
Segundo a representação apresentada ao MP-AM, Renato Júnior teria mantido participação societária na empresa Olimag Ltda., da qual possuía 49% das cotas, enquanto ocupava cargo estratégico responsável justamente por contratos e obras de infraestrutura urbana em Manaus.
A denúncia afirma que a empresa, inicialmente voltada ao comércio de alimentos, teria alterado suas atividades para atuar na área de obras de urbanização em fevereiro de 2023 — período em que Renato estava à frente da Seminf. A coincidência levantou suspeitas sobre possível incompatibilidade entre função pública e interesses privados.
Documentos obtidos junto à Junta Comercial do Amazonas (Jucea) também indicam que, mesmo após deixar formalmente o quadro societário da construtora, Renato Júnior apareceria ligado à empresa Rairema Participações S/A, apontada como integrante da composição societária da própria Olimag.
Outro ponto que chamou atenção dos denunciantes envolve contratos milionários assinados durante a gestão de Renato na infraestrutura municipal. Entre eles está um acordo superior a R$ 119 milhões firmado por dispensa de licitação para serviços de limpeza e dragagem de igarapés em Manaus. O contrato já havia sido alvo de questionamentos no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).
A representação enviada ao Ministério Público também questiona informações apresentadas na declaração de bens do prefeito. Segundo a denúncia, os documentos registrariam participações empresariais sem identificação clara das empresas relacionadas ao político.
O MP-AM iniciou uma análise preliminar para verificar se existem elementos suficientes para abertura de investigação formal. Nesta fase, promotores avaliam documentos, registros societários e possíveis vínculos entre decisões administrativas e interesses privados.
Caso sejam encontrados indícios de irregularidades, o procedimento pode avançar para investigação aprofundada, incluindo solicitação de novos documentos, oitivas e eventual atuação de órgãos de controle.
Até o momento, Renato Júnior não apresentou manifestação pública detalhada sobre o conteúdo da denúncia. O caso segue em análise no Ministério Público do Amazonas e continua repercutindo nos bastidores políticos da capital amazonense.
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