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Documento oficial aponta gasto de R$ 5,5 milhões em Novo Aripuanã apesar de serviços precários

Moradores de Novo Aripuanã, no interior do Amazonas, denunciam a precariedade dos serviços essenciais no município, apesar da existência de registros oficiais que indicam gastos milionários com despesas básicas. A falta de água, a coleta irregular de lixo e alagamentos em unidades públicas fazem parte da rotina relatada pela população.

Em declaração à reportagem, um morador que pediu para não ser identificado descreveu as dificuldades enfrentadas diariamente. “Sem água, sem coleta de lixo. Passam-se semanas com lixo nas ruas; o coletor só passa em algumas vias. A situação é bem precária, mas dinheiro tem”, afirmou.

As denúncias ganharam ainda mais repercussão após a circulação, nas redes sociais, de um vídeo que mostra uma forte infiltração, semelhante a uma cachoeira, se formando dentro da Unidade Saúde da Família Rossinio Santana Gomes da Silva, durante a chuva registrada na última segunda-feira (15). As imagens mostram o local alagado, evidenciando problemas estruturais e ausência de manutenção adequada.

O cenário contrasta com ato administrativo publicado no Diário Oficial dos Municípios do Amazonas em janeiro de 2025, no mesmo dia em que o novo prefeito tomou posse, embora o documento esteja datado de dezembro de 2024, período ainda correspondente à gestão anterior. O ato homologou despesas de aproximadamente R$ 5,5 milhões para a aquisição de materiais de limpeza, distribuídas entre sete fornecedores.

Conforme o documento, a homologação foi assinada pelo então prefeito Jocione Souza em 26 de dezembro de 2024. No entanto, a publicação oficial ocorreu apenas em 2 de janeiro de 2025, data em que o gestor já não exercia mais o cargo.

O volume do gasto chama atenção por se tratar de despesa de custeio básico, especialmente diante dos relatos de ruas sujas, coleta irregular de resíduos e unidades públicas em condições precárias de funcionamento. A publicação tardia do ato, após o encerramento do mandato do responsável pela homologação, levanta questionamentos administrativos sobre transparência e controle dos recursos públicos, sem que, até o momento, haja decisão judicial sobre o caso.

Tanto a gestão anterior quanto a atual administração municipal são alvo de investigações em andamento no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM). Conforme já noticiado em matérias anteriores, os procedimentos apuram contratos, execução de despesas públicas e possíveis falhas na prestação de serviços essenciais à população.

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