Polícia Civil diz que esquema criminoso no Amazonas era “administrado pela gestão pública” durante Operação Erga Omnes
Uma investigação da Polícia Civil do Amazonas revelou que um esquema criminoso ligado ao Comando Vermelho (CV) estava sendo organizado com apoio e participação de agentes públicos, segundo disse o delegado responsável pela Operação Erga Omnes nesta sexta-feira (20).
De acordo com as apurações, o grupo criminoso não apenas financiava e distribuía drogas no Estado, mas também captava recursos junto a traficantes, lavava esse dinheiro por meio de empresas de logística e organizava compras de entorpecentes na Colômbia para posterior distribuição em Manaus e em outras cidades do Amazonas.
O delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, afirmou que a investigação identificou servidores e ex-servidores públicos de diferentes esferas — incluindo órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário — como parte do núcleo político que teria dado suporte à organização criminosa. “O crime organizado estava sendo administrado pela própria administração pública”, declarou.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram movimentações financeiras suspeitas que somaram cerca de R$ 70 milhões ao longo de quatro anos, reforçando a suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo servidores e empresas fantasmas usadas pelo grupo.
Até o momento, 11 pessoas foram presas, sendo sete no Amazonas e outras em diversos estados, entre os 24 mandados de prisão que foram expedidos. Alguns investigados ainda estão foragidos, incluindo o líder identificado da quadrilha, que teria escapado por volta das 3h da manhã do endereço onde estava localizado.
A operação segue em andamento, e as autoridades afirmam que novas provas estão sendo analisadas para identificar outros envolvidos no esquema de tráfico, lavagem de dinheiro e infiltração de agentes públicos.

