O governo federal deve anunciar, ainda nesta semana, o lançamento do Desenrola 2.0, a nova fase do programa de renegociação de dívidas que traz como principal novidade a possibilidade de utilizar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para abater débitos. A confirmação foi feita nesta segunda-feira (27) pelo ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, após uma série de reuniões com a cúpula do setor bancário em São Paulo.
O ministro se encontrou com o presidente da Febraban, Isaac Sidney, e com os CEOs de gigantes do setor como Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual e Nubank. O objetivo é fechar os detalhes finais da proposta que será apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Diferente de um saque total, o uso do fundo será controlado. Segundo Durigan, haverá uma trava: o trabalhador poderá utilizar apenas um percentual do saque vinculado diretamente ao pagamento da dívida.
Além do FGTS, o programa contará com aportes do Fundo Garantidor de Operações (FGO), assegurando que as instituições financeiras tenham lastro para oferecer condições facilitadas aos inadimplentes.
O alvo principal do Desenrola 2.0 são as dívidas que mais sufocam o orçamento doméstico: cartão de crédito, cheque especial e Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Atualmente, essas modalidades possuem taxas que variam entre 6% e 10% ao mês, o que cria um “efeito bola de neve” impagável para famílias de classe média e baixa.
A contrapartida exigida pelo governo aos bancos inclui:
Descontos agressivos: Expectativa de abatimentos de até 90% no valor da dívida.
Juros reduzidos: Taxas significativamente menores do que as praticadas hoje no mercado para esses segmentos.
A meta do governo é ambiciosa: após beneficiar 15 milhões de pessoas na primeira edição, a expectativa para o Desenrola 2.0 é atingir dezenas de milhões de brasileiros, ajudando a limpar o nome de cidadãos e reaquecer o consumo interno.
O anúncio oficial, que deve ser feito pelo presidente Lula em Brasília, é aguardado para os próximos dias, selando o acordo entre o Executivo e o sistema financeiro nacional.
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