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Inferno no Distrito: Saiba porque bombeiros tiveram dificuldade em apagar o fogo e ainda lutam arduamente para controlá-lo

O incêndio de grandes proporções que atingiu a fábrica da montadora Effa Motors na última terça-feira (5), e cujas chamas persistiram por mais de 20 horas, teve como causa provável uma falha em um procedimento de segurança. De acordo com testemunhas, a ignição foi desencadeada por faíscas de uma operação de soldagem que entraram em contato com materiais inflamáveis.

O incidente, que começou no final da manhã de terça no Distrito Industrial II, destruiu completamente a planta da Effa Motors e se propagou para a vizinha Valfilm da Amazônia. O fogo foi considerado controlado na manhã desta quarta-feira (6), mas equipes permanecem no local para o trabalho de rescaldo, que deve se estender devido à natureza dos materiais envolvidos.

A intensidade e, principalmente, a longa duração do incêndio foram diretamente influenciadas pela alta concentração de materiais com comportamento de queima complexo.

Alta Carga de Incêndio e Comportamento dos Materiais: Os cerca de 100 veículos na linha de produção continham plásticos, borrachas e espumas que, ao queimarem, não se comportam como a madeira. Materiais como os plásticos dos painéis e para-choques e a borracha dos pneus derretem ao queimar, criando rios de combustível líquido que espalham o fogo para áreas de difícil acesso. Esse material derretido continua a queimar e a liberar calor intenso, tornando o combate com água menos eficaz e elevando o risco de reignição.

O “Efeito Dominó” e o Combustível Plástico: A propagação para a Valfilm, uma recicladora de plásticos, adicionou um volume massivo de combustível ao incêndio. O plástico armazenado, ao queimar, se liquefaz e mantém a combustão por um período muito prolongado, sendo um dos principais fatores para que o incêndio tenha se estendido por mais de 20 horas.O incêndio em Manaus se assemelha a outros desastres industriais no país, que compartilham características como a causa operacional, o tipo de material e o impacto em instalações vizinhas.

Indústria Automobilística (Contagem, MG): Há paralelo direto o incêndio de 2013 na Componentes e Módulos Plásticos (CMP), fornecedora da indústria automobilística em Minas Gerais. O sinistro foi causado por um vazamento de gás seguido de explosões e, em um “efeito dominó” similar ao de Manaus, destroços foram arremessados e atingiram uma fábrica vizinha.

Polo Industrial de Manaus (AM): Existe um padrão de risco no próprio polo, especialmente no setor de colchões. Além do incêndio na fábrica da Pelmex (2023), um evento anterior na Eurosono (2022) também resultou na destruição de um galpão com móveis e matéria-prima de alta combustão, como espumas de poliuretano.

Polo Petroquímico (Duque de Caxias, RJ): A região possui histórico de incêndios de longa duração em depósitos de combustível e galpões de papel. Nesses casos, o volume massivo de material inflamável sustenta a combustão por longos períodos, exigindo operações de contenção que podem durar dias.

Apesar da destruição material, a evacuação dos cerca de 120 funcionários da montadora evitou fatalidades no local de origem do fogo. Uma funcionária de uma empresa vizinha foi hospitalizada com queimaduras. A operação de combate mobilizou 148 bombeiros e 26 viaturas.

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