Retomada da pesca do tambaqui em reserva no AM gera renda e fortalece economia de comunidade em Tefé
A retomada da pesca do tambaqui na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, no município de Tefé, interior do Amazonas, já começa a trazer resultados positivos para as comunidades locais. Após o fim do período de defeso — fase em que a captura é proibida para garantir a reprodução da espécie — a atividade voltou a ser realizada com organização e acompanhamento técnico, movimentando cerca de R$ 22 mil em poucos dias.
A ação ocorreu na comunidade Nova Jerusalém do Acará, localizada a aproximadamente 523 quilômetros de Manaus, e contou com a participação de 43 pescadores. Juntos, eles conseguiram capturar cerca de duas toneladas de tambaqui, volume que garantiu um retorno financeiro significativo para os trabalhadores da região.
A atividade foi acompanhada pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), que presta assistência técnica aos pescadores desde 2022. O apoio inclui orientação sobre manejo sustentável, organização da produção e cumprimento das normas ambientais, fundamentais para garantir a continuidade da atividade econômica sem prejudicar os estoques naturais do peixe.
Segundo especialistas envolvidos no projeto, a pesca do tambaqui não tem apenas caráter comercial imediato. Os recursos obtidos com a venda do pescado serão reinvestidos na própria atividade pesqueira, especialmente na preparação para a pesca manejada do pirarucu, considerada uma das principais fontes de renda das comunidades ribeirinhas. Parte do valor arrecadado será destinada à compra de equipamentos, como redes e malhadeiras, essenciais para as próximas etapas.
Além disso, a comunidade já solicitou autorização para a captura de até 500 pirarucus neste ano junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), reforçando o planejamento produtivo baseado no manejo sustentável dos recursos naturais.
A retomada da pesca só foi possível após o encerramento do período de defeso, que ocorre anualmente para proteger o ciclo reprodutivo do tambaqui. Com a liberação da atividade, é permitido pescar novamente, desde que sejam respeitadas regras como tamanho mínimo e áreas autorizadas, garantindo equilíbrio entre exploração econômica e preservação ambiental.
A operação também contou com autorização da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o que assegura que todas as etapas da atividade estejam dentro das normas legais. Para os gestores envolvidos, o modelo adotado na RDS Amanã demonstra que é possível conciliar geração de renda com conservação ambiental, fortalecendo a economia local sem comprometer os recursos naturais para as futuras gerações.
Com os resultados iniciais considerados positivos, a expectativa é de que novas ações semelhantes sejam realizadas ao longo do ano, ampliando os ganhos das comunidades e consolidando práticas sustentáveis como base para o desenvolvimento da região amazônica.

