Após seca severa, Amazonas registra aumento na superfície de água, aponta MapBiomas
Após enfrentar dois anos marcados por secas históricas, a Amazônia voltou a apresentar sinais de recuperação hídrica. Dados divulgados pelo projeto MapBiomas mostram que a superfície de água no bioma amazônico registrou aumento em 2025, superando a média histórica observada desde 1985.
Segundo o levantamento, a Amazônia encerrou o ano com uma área coberta por água 2,6% acima da média histórica, recuperando parte das perdas acumuladas durante os períodos de estiagem extrema registrados em 2023 e 2024. O ganho foi estimado em aproximadamente 287 mil hectares de superfície de água em relação à média do período analisado.
Apesar da melhora, os pesquisadores alertam que a recuperação não ocorreu de forma uniforme. Das 54 bacias hidrográficas monitoradas na região, 20 ainda permaneceram abaixo dos níveis considerados normais, indicando que os efeitos da seca continuam presentes em diversas áreas do bioma.
Os dados contrastam com o cenário observado nos anos anteriores. Em 2023, o estado do Amazonas registrou a menor superfície de água desde 2018, resultado de uma seca extrema que afetou rios, lagos e comunidades inteiras. Na época, foram contabilizados 3,56 milhões de hectares de área coberta por água, uma redução de 1,39 milhão de hectares em comparação com o mesmo período de 2022.
Especialistas apontam que o aumento das chuvas em 2025 contribuiu para a recuperação parcial dos recursos hídricos. No entanto, o avanço das mudanças climáticas e a frequência crescente de eventos extremos mantêm o alerta para a necessidade de monitoramento contínuo da região.
De acordo com o MapBiomas, a melhora observada representa um sinal positivo para a Amazônia, mas não significa o fim dos riscos. A instabilidade do regime de chuvas e a possibilidade de novos eventos climáticos severos seguem como fatores de preocupação para pesquisadores e autoridades ambientais.

