O senador e candidato ao governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), perdeu completamente o controle emocional e partiu para ataques pessoais e ameaças veladas contra o jornalista Neuton Corrêa, do site BNC Amazonas e comentarista da Rádio Tiradentes. A troca de farpas, que ocorreu no grupo de WhatsApp “MIJADA DE POTÓ” — aparentemente um espaço de discussão política de Parintins —, expôs a irritação do parlamentar com a cobertura jornalística sobre a Operação Maus Caminhos, escândalo de corrupção que resultou em prisões de familiares do senador durante seu governo no Amazonas.

O estopim da crise

Tudo começou quando Neuton Corrêa compartilhou, no grupo, uma matéria do site BNC Amazonas com o título “Maus Caminhos: um fantasma que ainda assombra Omar Aziz”. O texto, publicado no portal bncamazonas.com.br, destacava que, mesmo com o arquivamento da investigação em relação ao senador, a operação que atingiu integrantes de sua família continuava sendo usada por adversários como arma política nas eleições de 2026.

A publicação do link teria sido o estopim para o descontrole de Omar Aziz. Em resposta direta ao jornalista, o senador disparou uma mensagem agressiva e ameaçadora: “Neuton, a Maus Caminhos não me assombra não. Agora o que te assombra é eu ganhar a eleição e cortar o um milhão que você recebe do Estado para realizar o Hashtag Toadas, usando os artistas de Parintins — pra quem você paga uma miséria — para enriquecer. O que te assombra é o fim dessa mamata.”
A mensagem de Omar Aziz carrega graves implicações: em primeiro lugar, o senador admite, de forma explícita, a intenção de usar o poder do Estado para punir um profissional de imprensa caso vença as eleições. Em segundo, acusa o jornalista de enriquecimento ilícito com recursos públicos — alegação que, caso infundada, configura crime de calúnia — ao mencionar o valor de “um milhão” supostamente repassado ao comunicador para a realização do evento “Hashtag Toadas”, festival de Parintins.

A resposta irônica de Neuton Corrêa

Diante da agressão, Neuton Corrêa não revidou com mais ofensas. Em uma resposta afiada e irônica, o jornalista publicou uma foto da caixa do remédio Maracugina PI, fitoterápico indicado para “Insônia, Ansiedade, Irritação e Agitação”, com a legenda lacônica: “vai lhe fazer bem”. A resposta, ao sugerir que o senador precisaria de calmantes para controlar seu comportamento descontrolado, viralizou nas redes sociais e evidenciou a compostura do jornalista frente às ameaças.

Contexto: a Operação Maus Caminhos

A reação desproporcional de Omar Aziz remete a um dos maiores escândalos de corrupção da história do Amazonas. A Operação Maus Caminhos, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, investigou desvios milionários na saúde estadual entre 2010 e 2016, período em que Omar Aziz governou o estado.

A operação atingiu a família do senador: em 2019, a Operação Vértex, 5ª fase da Maus Caminhos, prendeu temporariamente a esposa de Omar, a deputada estadual Nejmi Aziz, e três de seus irmãos — Murad, Amin e Manssur Aziz. As investigações apontaram “fortes indícios de vantagens indevidas à família”, incluindo uma suposta “mesada de R$ 500 mil para Aziz”, além de pagamento de contas, repasses de dinheiro à mulher e aos irmãos, viagens e relógios de luxo.

Embora o caso tenha sido arquivado em relação ao senador por foro privilegiado, o fantasma da operação continua sendo explorado politicamente por seus adversários na campanha eleitoral de 2026, na qual Omar Aziz lidera as pesquisas de intenção de voto com 27%, segundo levantamento da Projeta, à frente do governador Roberto Cidade (União Brasil), que tem 23,4%.

Ameaça à liberdade de imprensa

A conduta de Omar Aziz no grupo de WhatsApp levanta sérios questionamentos sobre seu compromisso com a democracia e a liberdade de imprensa. Ameaçar um jornalista com retaliação financeira caso vença uma eleição não é apenas um descontrole emocional — é uma violência simbólica que busca intimidar a imprensa e silenciar vozes críticas.

A ironia de Neuton Corrêa, ao oferecer calmantes ao senador, acabou por revelar quem, de fato, perdeu a serenidade naquela troca: enquanto o jornalista manteve a postura profissional, o candidato ao governo do maior estado da Amazônia demonstrou que, para ele, a crítica jornalística é inaceitável — e deve ser punida com o poder público.

By Portal Maninho

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