Cancelamento da paralisação em menos de 24 horas expõe articulação do grupo político do ex-prefeito com sindicato para utilizar transporte público como peça de campanha; ação prejudicou milhares de passageiros
A ameaça de paralisação no sistema de transporte coletivo de Manaus, marcada para ter início às 11h desta quinta-feira, durou menos de 24 horas . O anúncio da suspensão foi feito pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus, Givancir Oliveira, em entrevista ao programa Valdir Correia, na rádio FM do Povo.
Por trás do recuo relâmpago, analistas apontam uma manobra política orquestrada pelo grupo do ex-prefeito David Almeida, candidato ao Governo do Amazonas pelo Avante, para faturar eleitoralmente com o desgaste da imagem do governador Roberto Cidade (União Progressista), que concorre à reeleição. No meio de tudo, a população que viveu um dia tenso.
Renato Júnior foi apresentado na mídia como um “herói” por ter assumido a responsabilidade do estado. O prefeito teria pago uma parcela do vale estudantil, referente ao mês de agosto, que deveria ter sido creditada pelo Governo do Amazonas para as empresas do transporte coletivo.
Manobra mentirosa
Os fatos desmentem a versão. Em julho, o Governo do Amazonas repassou R$ 18 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). Na época, o valor liquidava os débitos do estado com o passe livre estudantil.
Ontem (19/08), o Governo do Amazonas antecipou o pagamento desta despesa. Creditou na conta do Sinetram o valor referente ao mês de agosto para evitar que houvesse qualquer transtorno para a população.
Mesmo assim, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM), Givancir Oliveira, anunciou, na noite de 19 de agosto, paralisação dos serviços de transporte coletivo para o dia seguinte, 20 de agosto.
Articulação política para queimar Roberto Cidade
A proximidade entre a diretoria do sindicato e a chapa liderada por David Almeida reacendeu o debate sobre o uso recorrente do transporte público como ferramenta de pressão política em período eleitoral.
O movimento grevista sob o argumento de repasses pendentes pelo Estado tinha como finalidade “queimar” a imagem do governador e candidato a reeleição, Roberto Cidade.
Como a mentira não se sustentaria por muito tempo, já que o governo havia antecipado o repasse, o prefeito Renato Junior veio a público se apresentando como salvador da pátria, dizendo que ele assumiu o pagamento para evitar a greve.
Nas redes sociais, a população compreendeu que não passava de mais um teatro do grupo de David Almeida para tentar sair do quarto lugar nas pesquisas. A manobra, que deveria alavancar a popularidade do candidato do Avante teve o efeito contrário. A população, que viu o seu direito de ir e vir ser ameaçado, encheu de críticas a atuação tanto do prefeito Renato Junior quanto do ex-prefeito David Almeida.
Porém, a rapidez com que a suspensão foi acertada — em um intervalo de poucas horas — reforça a tese de que a paralisação funcionava como uma peça de engrenagem para alavancar a imagem do grupo situacionista como salvador do caos.
Apesar da articulação política e das disputas partidárias que correm nos bastidores, o impacto concreto dessa jogada recaiu diretamente sobre a rotina da população. A constante ameaça de paralisação paralisa a economia da capital, gera insegurança no comércio local e afeta brutalmente centenas de milhares de trabalhadores que dependem diariamente dos ônibus para chegar aos seus empregos e compromissos.
O uso instrumental do transporte público expõe uma dinâmica onde a estabilidade dos serviços essenciais fica subordinada aos interesses da corrida eleitoral.
