STJ mantém prisão de irmão de Djidja Cardoso e rejeita novo pedido de liberdade
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou mais um pedido de liberdade apresentado pela defesa de Ademar Farias Cardoso Neto, irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, encontrada morta em Manaus em maio de 2024. A decisão mantém a prisão preventiva do investigado, que segue detido enquanto o processo relacionado ao chamado “Caso Djidja” continua em tramitação na Justiça.
O pedido foi analisado pelo ministro Sebastião Reis Júnior, que entendeu não haver elementos suficientes para autorizar a soltura de Ademar neste momento. A defesa alegava excesso de prazo na prisão preventiva e afirmava que o processo estaria praticamente parado após a anulação da condenação anterior. Os advogados também solicitaram a substituição da prisão por medidas cautelares alternativas.
Mesmo assim, o magistrado considerou válidos os fundamentos apresentados anteriormente pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que apontou a gravidade das acusações, a complexidade do caso e o risco à ordem pública como justificativas para a manutenção da prisão. Segundo a decisão, a investigação envolve uma estrutura considerada organizada e ligada ao tráfico de drogas e associação criminosa.
Ademar foi preso em 2024 durante as investigações sobre a morte de Djidja Cardoso, ex-item oficial do Boi Garantido e empresária conhecida em Manaus. O caso ganhou repercussão nacional após a polícia apontar o envolvimento de familiares e pessoas próximas em um suposto esquema de uso e distribuição ilegal de cetamina, substância anestésica de uso veterinário também conhecida como ketamina.
As investigações começaram após Djidja ser encontrada morta dentro da casa onde morava com a mãe, Cleusimar Cardoso, e o irmão. O laudo do Instituto Médico Legal apontou que a causa da morte foi depressão respiratória e cardíaca provocada pelo abuso da substância. A partir daí, a Polícia Civil do Amazonas deflagrou a Operação Mandrágora, que resultou em diversas prisões e apreensões.
Durante a operação, agentes encontraram seringas, agulhas, frascos de cetamina e outros materiais considerados importantes para a investigação. Além de Ademar e Cleusimar, também foram presos funcionários do salão de beleza da família, empresários e pessoas apontadas como responsáveis pelo fornecimento da substância.
Em dezembro de 2024, Ademar e outros investigados chegaram a ser condenados a mais de 10 anos de prisão pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. No entanto, em 2025, o Tribunal de Justiça do Amazonas anulou a sentença após reconhecer falhas processuais relacionadas aos laudos toxicológicos anexados ao processo. A decisão determinou a retomada da ação penal desde etapas anteriores do julgamento.
Apesar da anulação da condenação, a Justiça decidiu manter as prisões preventivas dos principais investigados. A defesa sustenta que não existem fatos novos que justifiquem a continuidade da prisão e afirma que os acusados permanecem detidos com base apenas na gravidade do caso.
O STJ também informou que solicitou novas informações ao juízo de primeira instância e ao Tribunal de Justiça do Amazonas sobre o andamento atualizado do processo. Paralelamente, outro pedido de liberdade envolvendo Cleusimar Cardoso, mãe de Djidja, ainda aguarda análise na Corte Superior.

